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Março de 2006. Exatamente nesta data, os amantes do
rock nacional comemoraram 20 anos de lançamento do álbum
Selvagem?
dos Paralamas. Tido como um dos maiores discos do rock brasileiro de todos
os tempos, este álbum marca um divisor de águas na trajetória do rock
brazuca. Agradeço
ao Paulo Cunha pela idéia e ao Rodrigo Barbosa do
FC Nação Severina
pelas contribuições !!!
A
Revista Bizz,
preparou uma edição especial sobre o
aniversário de 20 anos deste disco.
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REVISTA BIZZ -
ED. 11 (1986) |
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REVISTA BIZZ - ED. 200 (2006) |
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Matéria na Folha de
São Paulo sobre o Selvagem?
Especial da MTV
sobre o Disco Selvagem?
Entrevista com o
Barone sobre os 20 Anos do Selvagem?
Matéria Site
Esquina da Música - 22 Anos do Selvagem?
Responda um
Quiz Especial sobre o Selvagem? e teste
seus conhecimentos!!!
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VÍDEOS ESPECIAIS SOBRE O SELVAGEM? |
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Confira 3 vídeos
especiais preparados pela
MTV
(Programa Discoteca MTV) com
depoimentos e entrevistas dos Paralamas,
de amigos e do jornalista Jamari França
(autor da
biografia
da banda), sobre o aniversário de 20 anos
deste importante disco.
Vídeo - Parte 01
Vídeo - Parte 02
Vídeo - Parte 03
Ou, clique aqui e
fazer o download dos 3 vídeos
(Vídeos compilados e disponibilizados
pelo Rodrigo, do
FC Nação Severina)
Veja página
especial de fotos com as capas especiais da
Bizz de 1986 e a de 2006, um super ingresso do show de
1986 e as capas de 3 singles !!!!
Agradeço ao Paulo Henrique e ao Rodrigo
Barbosa pelo envio das
Imagens !!!

Foto: Revista
Bizz Bizz
disseca o álbum que foi um divisor de águas
no rock brasileiro: Selvagem?, mais
do que uma coleção de hits inesquecíveis ("Melô
do marinheiro", "A Novidade",
"Alagados"...), foi o momento em que o pop
nacional perdeu a vergonha de ser mulato.
Conheça a história de um clássico que
completa duas décadas de revolução. (...)
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Em abril de 1986
chegava às lojas Selvagem?,
terceiro LP dos Paralamas, para
aclimatar de vez o som de toda uma
geração. O chamado "rock de bermuda" se
assumia de vez com letras engajadas,
movimentos de corpo jamaicanos e total
pouca-vergonha em suas partes, digamos
assim, mais brasileiras. "Um disco forte
e desestruturante que marca o início de
uma nova era da música brasileira",
empolgava-se o produtor Liminha no texto
de apresentação distribuído à imprensa.
Duas décadas depois, o jornalista Jamari França,situa assim:
"Selvagem? foi o atestado de maturidade
da geração 80 do Rock Brasil. Conectou
três matrizes importantes da música
negra do Terceiro Mundo: Bahia, Jamaica
e África. Abriu um leque de
possibilidades e foi precursor da
sonoridade que reinou nos anos 90". |
CRÍTICA DE LANÇAMENTO - PARALAMAS DO SUCESSO
- SELVAGEM? (1986)
"Alagados" é o melhor exemplo da mudança que
os Paralamas do Sucesso prepararam para este
disco. A guitarra soa como um estranho
casamento da música africana (a ju ju music,
praticada por artistas como King Sunny Ade)
com o carimbó do Pará e do Amazonas. Na
letra, Herbert Vianna trocou os
questionamentos pessoais por um retrato
realista do drama cotidiano dos milhões de
favelados que nos cercam. O restante do
disco foi preenchido por uma musicalidade
saborosamente brasileira, na contramão das
tendências anglo-americanas que reinavam no
rock da época.
Depois da consagração no
Rock in Rio, em janeiro de 1985, quando 300
mil pessoas cantaram em coro "Óculos" (do
álbum O Passo Do Lui), seguida de uma
centena de shows pelo Brasil, que se
estenderam até agosto daquele ano, os
Paralamas Do Sucesso perceberam que estava
na hora de se reciclar. Em vez de seguir a
corrente favorável, os bons ventos que
sopravam para seu pop-reggae, resolveram
arriscar mais neste seu terceiro trabalho de
estúdio. Iniciando uma feliz associação com
o produtor Liminha, Herbert Vianna, Bi
Ribeiro e João Barone mostraram a seus
contemporâneos que os caminhos para a
renovação do pop apontavam mais para a
cultura do Terceiro Mundo do que qualquer
coisa produzida na Inglaterra e nos EUA.
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Até subir ao estúdio
carioca Nas Nuvens para gravar este
Selvagem?, o trio passou quase cinco meses
fazendo uma espécie de laboratório.
Ensaiando no estúdio Vovó Ondina (o
apartamento da avó de Bi, onde o grupo
nasceu), eles estavam decididos a encontrar
novas soluções para seu som.
A reação à cruel
realidade brasileira, que puderam comprovar
nas turnês, não se restringiu a "Alagados".
Na faixa-título, os Paralamas protestavam
contra a débil censura do governo Sarney ao
filme Je Vous Salue Marie, de Godard, além
de enfocar a violência policial e o abandono
dos sem-tudo. "A Novidade" marca o início da
parceria do trio com Gilberto Gil. "Ó mundo
tão desigual/ De um lado este Carnaval/ Do
outro a fome total", constatava a letra do
baiano. Os Paralamas direcionavam suas
mentes para o Oriente Médio, em "Teerã", e
mergulhavam em constatações existencialistas
na faixa "O Homem".
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Musicalmente rico, o
disco parte do reggae e do dub jamaicanos
para oferecer uma bem azeitada salada na
qual têm lugar também pop africano, ska,
rock e sotaques nordestinos. E fecha com
mais um tiro na mosca, chamando
pioneiramente a atenção para o soul carioca
de Tim Maia (falecido em março deste ano),
na recriação da balada "Você".
Definitivamente, um clássico !!!"
Crítica publicada
na 11ª Edição da Revista Bizz.
FRASES / REPERCUSSÃO:
"Selvagem? foi o
atestado de maturidade da geração 80 do Rock
Brasil. Conectou três matrizes importantes
da música negra do Terceiro Mundo: Bahia,
Jamaica e África. Abriu um leque de
possibilidades e foi precursor da sonoridade
que reinou nos anos 90". “Acho que
o Selvagem foi um dos discos que deram uma
mudança de rumo no rock dos anos 80 e também
antecipou uma tendência que iria passar a
vigorar a partir dos anos 90”
Jamari
França autor de
Vamo Batê Lata, a
biografia oficial da banda.
"Ele foi um disco,
acima de tudo, muito corajoso. Os Paralamas
tinham acabado de vir de sucessos como Meu
Erro, Óculos e Me liga, com temas ligados ao
amor, e fizeram um disco com letras
socialmente muito fortes, como Alagados, O
Homem e A novidade (essa do Gil). A outra
parte da coragem em si, foi abandonar um
pouco da linha rock new wave de O passo do
Lui e dar uma guinada para o outro extremo
do mundo indo buscar influências na Bahia,
na Àfrica e na Jamaica, ao invés da
Inglaterra. O Selvagem? é o pai do
Severino, musicalmente, e do MangueBeat,
na temática social. É um disco essencial"
-
Rodrigo Barbosa Melo -
FC Nação Severina
"Este é o grande álbum
do rock nacional dos anos 80. Principalmente
porque traz um gênero jamaicano chamado dub.
Os efeitos tirados em estúdio junto com
Liminha foram muito bem usados. A música
‘Selvagem’ é um clássico." -
Falcão,
vocalista do Rappa
“Selvagem é um marco em
vários sentidos pelo fato de ele ter tido
uma penetração, abrindo mercados, abrindo
possibilidades de a gente expandir”.
“Com o Selvagem a gente estava tentando
nadar em cores nacionais. E ter um retorno
tão forte pra gente significou “Uau! Que
legal que tenhamos encontrado esse grau de
sintonia”
Herbet Vianna
“A gente queria romper. A
gente não queria fazer a continuação do
Passos do Lui. Então a gente se provocou.
Falamos: ‘vamos fazer outra coisa totalmente
diferente'”
Bi Ribeiro
“Acho que esse disco foi maturando ao longo
do que a gente foi fazendo em 1985, depois
do pipoco todo do Rock in Rio. Ao longo de 1985 a gente ouvia cada vez
mais compulsivamente reggae, música
africana... Isso foi meio que ficando nessas
entrelinhas do Selvagem”
“Temos uma atitude muito despojada,
como sempre foi no nosso trabalho. A gente
não acha que seja uma obra de arte assim.
Achamos que é um disco muito importante
pra nós”
João Barone
“Esse disco é um divisor de águas no
trabalho dos Paralamas e indica também um
caminho para o rock. Minha colaboração com eles foi mais
melhorar, gravar, observar o que tinha,
alguma aresta para ser lapidada. Mas não
foram feitas mudanças radicais, sabe? Não
foi um disco criado num estúdio”
Liminha, produtor do disco
“Me lembro da primeira
vez que ouvi a introdução com o riff de
guitarra de ‘Alagados'. Eu falei: ‘Caraca!'
Aquilo era a possibilidade de misturar a
música brasileira com as outras referências
que eu sempre enxergava, sempre apreciava
nos Paralamas do Sucesso”
Haroldo, do Skank
"Ele teve um impacto singular na época.
Vários amigos acharam o disco ‘brasileiro’
demais. Na verdade, esse foi o detalhe que o
tornou tão especial."
John Ulhoa, guitarrista do Pato Fu
"As
misturas musicais desse disco dos Paralamas
seriam a tônica da geração dos anos 90. Ele
acabou com a ‘negação da música brasileira’,
que era muito forte nas bandas dos anos 80.
Para mim, mostrou que era possível fazer
sucesso sem ter que necessariamente parecer
um inglês encapotado num país tropical"
Henrique Portugal, tecladista do Skank
Imagina a nossa emoção
ao ver o Gil gravando "Alagados"... Ele
estava super gripado, tomou um chá e uma
colher de mel e mandou ver assim mesmo.
Depois, fez aquela letra sensacional de "A
Novidade", em cima da melodia cantarolada
que o Herbert mandou. Ele escreveu a letra
em cima certinho, respeitando as divisões, a
métrica. Foi demais. O Gil recebeu a fita
(era fita cassete na época!) em
Florianópolis, onde estava fazendo shows.
Ele passou a letra para o Herbert pelo
telefone, no estúdio. O Herbert escrevia e
chorava de emoção... Quando ele acabou de
escrever, gritava: "olha só que coisa
linda!".
João Barone

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