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Segue abaixo uma pequena e singela homenagem da
Paralamas Forever à
Lucy Needham Vianna,
ex-esposa de Herbert
Vianna, falecida no acidente em 04/02/2001. Texto escrito por
Luiz Caversan, da
Folha Online.
"Seria uma grande
injustiça se Lucy Needham Vianna fosse lembrada apenas como 'a mulher inglesa de Herbert Vianna',
como vem sendo tratada pela maioria dos veículos de comunicação a vítima fatal
do acidente sofrido por ela e Herbert.
Uma injustiça e uma
pena. Porque Lucy não foi apenas isso, mulher e mãe, embora cumprisse esses dois papéis
com competência ímpar, alegria e dedicação.
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Tive o
imenso prazer de ser amigo de Lucy, nossas famílias compartilharam momentos de alegria, e
eu pude desfrutar de sua conversa inteligente, seu entusiasmo, curiosidade e permanente
atenção quanto à produção cultural brasileira.
Ela era antenada, antenadíssima em tudo o que de bom e novo acontecia neste país,
principalmente, é claro, no campo musical.
Assim é que escrevia
freqüentemente sobre o tema, trabalhava com produção e era também empresária do ramo.
Foi ela quem descobriu e lançou o grupo Penélope, apenas para citar o exemplo mais
recente de seu trabalho. |
Ela sabia tudo sobre os movimentos musicais mais undergrounds das mais diversas partes do
país; acompanhou de perto o desabrochar do mangue beat, era entusiasta de
Chico Science
(esse também morto precocemente) e tinha o olhar aguçado (aliás, típico dos ingleses)
para a importância cultural emergente de atitudes ou manifestações musicais
aparentemente anódinas.
Nisso era a inglesa mais brasileira que já conheci.
Era, sim, a mulher de Herbert, uma espécie de Yoko Ono
às avessas, a estimular,
colaborar, influir positivamente e a inspirar o trabalho do marido e do seu genial grupo.
Era querida e respeitada pelo Barone, pelo Bi Ribeiro
e pelo staff dos Paralamas.
O acidente que tirou sua vida e põe em risco a de Herbert é uma fatalidade daquelas de
dar raiva. Ambos viviam um momento extremamente bonito de suas vidas: três filhos lindos
(Luca, o mais velho, criança super vivaz; Hope, a "mandona" da casa, e a
pequenina Phoebe), uma bela residência recém-construída junto às matas de Vargem
Grande, (localidade próxima de Jacarepaguá, Rio), uma vida tranqüila, honesta e honrada.
Mas Herbert Vianna não amava (e amava muito, como fazia questão de deixar claro) apenas
sua mulher. Tinha a paixão pelas guitarras (possui uma adorável coleção), pelos vinhos
e, infelizmente, por voar.
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Filho de oficial da
Aeronáutica, primeiro aprendeu a pilotar helicópteros, depois passou para o ultraleve
comum e, há poucos meses, adquiriu o aparelho que o levaria de uma vida feliz e
harmoniosa à perda e à tristeza profundas.
Claro que a tragédia poderia ter ocorrido num acidente de
automóvel ou de outra maneira banal. Assim são as tragédias. Mas essa ocorreu
justamente numa atividade que causava grande prazer ao artista.
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Por conta dessa estúpida fatalidade, justamente num momento em que o casal desfrutava
merecidamente a vida, Herbert perde seu grande amor, ainda corre o risco de perder a
própria vida e nós perdemos a doce e querida Lucy."
Leia um texto muito bonito escrito pelo jornalista e
amigo Jamari França.

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