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João Fera
concedeu à Paralamas
Forever esta entrevista exclusiva em fevereiro de
2006.
Leia e descubra várias curiosidades sobre
ele e os Paralamas !!!! Desde já agradeço ao Fera
pela entrevista e pelo carinho de sempre
!!!!
Como
conheceu os Paralamas?
Conheci os PDS através do
Barone,
quando éramos vizinhos em Seropédica(Rural)na
década de 80 onde como meio de sobrevivência
eu dava umas aulas de violão para reforçar o
orçamento doméstico, pois nesta época, eu
tocava com o Wando e era um período
em que a maré de shows estava muito fraca e
eu tinha que "correr atrás" mesmo. Convém
frisar que, nesta época, nem ele próprio (o
Barone) fazia parte da banda.
Quando entrou para a banda? E, qual foi o
primeiro show?
A
minha entrada para a banda se deu quando
eles já estavam no auge do sucesso (após o
disco
SELVAGEM?)
e sentiram necessidades de colocar uns sons
de teclados, pois neste disco já havia umas
inserções feitas pelo Liminha, produtor do
mesmo. E eu fui o felizardo. Deu-se no mês
de Outubro de 1986.
O meu primeiro show foi em 26/10/1986 no
Colégio Salesiano em Niterói-RJ. Foi meio
que assustador, pois eu não estava
acostumado com uma infra-estrutura tão
grande assim. E,principalmente, ter tido um
valor musical (dado por eles) que até então
eu não tinha tido ao longo de meus 16 anos
musicais. Sobre este show eu tenho uma
lembrança muito presente que foi conhecer o
Liminha e Kid Vinil (Sou Boy) que estavam
presentes no camarim.
Nos bailes da vida que fazíamos (na
banda,antigamente, conjunto URB 7), nós
cultuávamos muito os Mutantes. E de repente
estar de frente ali do grande baixista e
produtor, foi emocionante. Sem contar,
também, que o Herbert fez questão de colocar
uma nota no Jornal do Brasil, enfocando a
minha entrada na banda neste dia. É claro
que tenho tudo isto guardado comigo,não?
Qual
foi o melhor show que você já fez?
Quanto ao melhor show que já fiz, fica
praticamente impossível te dar esta
resposta. Muitos foram muito significativos
para mim. Posso citar como exemplo, o
primeiro em que fizemos em Seropédica, após
o lançamento do
Bora Bora
(1988). Quando o
Herbert me
apresentou ao público, em delírio, quase
desmaiei de emoção.
Você imagina, todos os finais de semana eu
tocava no meu conjuntinho de baile naquela
área, conhecia todo mundo, tinha um vínculo
de amizade imenso (ainda tenho, graças a
Deus) e de repente chego na área, tocando na
banda mais famosa do Brasil que já tinha o
meu grande amigo Barone como filho
ilustre da área e ainda mais eu... Não tenho
condições de passar prá vocês esta emoção na
íntegra.
Ah...sem falar no conhecimento que eu tinha
por tocar nas missas e casamentos de todos
da área. Foi onde comecei a ter minhas
primeiras noções de teclados (tocava num
harmonio) na igreja do Cruzeiro, como era
chamada. Nesta igreja eu e toda a família
fomos batizados,nos casamos,etc...
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Comente 1 curiosidade ou um fato inusitado.
O Barone esteve na minha casa, logo após o Rock'n Rio 85 e me convidou
para ir assistir ao primeiro show deles na Rural. Foi no Clube Social, onde eu
toquei em inúmeros bailes, carnaval, etc... Eu estava muito desiludido com
música. Estava procurando qualquer coisa pra fazer que não fosse música. Eu
falei prá ele que não poderia ir por ter um compromisso (era mentira). Ele
insistiu tanto, tanto, que acabei indo !! Quando começou o show, eu pasmei.
Achei muito legal !!!
Neste momento me passou pela cabeça ... Esta banda é maravilhosa. Só falta um
teclado nela para que tenha uma consistência maior na hora dos solos do Herbert.
Te juro que, jamais me passou pela cabeça deste tecladista ser eu. Até porque,eu
não tinha capacidade musical para fazer parte da mesma e jamais poderia imaginar
que eles fossem pensar em um dia colocar um.
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Como é a sua relação com os Paralamas ?
Trabalhar com os PDS é simplesmente estender um pouco mais a minha família.
Eu nem consigo ver isto como trabalho. Simplesmente a gente quando tem que fazer
algo relativo a banda, partimos prá cima sem pensar em dificuldade ou coisa
assim. Após o acidente do Herbert, é lógico que muitas coisas mudaram,
mas a banda se agregou muito mais. Inclusive, acho que nós amadurecemos
musicalmente.
Agora, nós tocamos em função de nós mesmos e de suprir as dificuldades
encontradas por ele, que é muito natural prá quem passou o que ele passou.
Todo o final de semana ao qual não estou tocando, tô lá em Seropédica nos
botecos, tomando a minha cervejinha com a galera. Tem gente que até se assusta
com isto. Acham que eu teria que estar fazendo isto na Zona Sul do Rio. Que nada
!! O negócio é este aí. Que o diga o meu brother Zeca Pagodinho.
De quem
sou fã e agora me tornei amigo mesmo.
O nosso relacionamento extra-palco,você não faz nem idéia. Volta e meia a gente
tá na casa de um comemorando um aniversário,tomando uma cerveja, indo prá algum
show, etc... Geralmente a gente tá sempre se procurando, apesar de todos terem
famílias e serem muitos ocupados com as responsabilidades normais de todo mundo.
Como é a sua relação com os fãs?
Minha relação com os fãs eu acho que é ótima. Só eles mesmos é que podem te
responder melhor esta pergunta. Mas, te garanto que sempre estou com a melhor
disposição em atendê-los quando solicitado. Por que? Eu não sou nenhum artista!
Simplesmente sou um músico como milhares dos que existem no Brasil. Tenho
certeza de que a maioria deles gostariam de ter uma oportunidade como esta que
tenho. Mostrar seu trabalho e ser valorizado. Dado isso,eu sou um que sempre
estou ouvindo o trabalho de alguém, dando minha opinião, e às vezes, sempre
ajudando numa gravação, sempre fazendo uma produção,etc... Não consigo ver esta
relação artista/fã. Para mim são um grupo de amigos que estão ali te dando
aquela "puta"força. Sinto isto, pois, tenho uns que desde o início de minha
carreira, sempre estiveram ali me incentivando e continuam até hoje. Isto é
bacana,não?

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