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1. Philippe Seabra fala
sobre os Paralamas
Em 1982, quando o Herbert Vianna
subiu para Brasília vindo do Rio, os Paralamas
já
haviam lançado o compacto Vital e Sua Moto, ele foi ao Rádio Center (centro comercial na
zona central de Brasília onde Plebe, Legião, Capital Inicial e XXX ensaiavam), junto com
uns figurantes o Pedro (Ribeiro) e o Dinho
(Ouro Preto). Você sabe (risos) que, nessa época, quem mandava na cena musical de
Brasília era a gente... O cara (Herbert) chegou com um bermudão, de óculos... Ficou no
canto da sala, tirando uns solos de Eric Clapton. "Que porra é essa?", eu
pensei (risos). A gente nem chegou a se falar, eu acho.
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Na semana seguinte, eu fui ligar o meu pedal flanger, modelo MXR, que ligava numa tomada e
era 110 volts, só que aqui, como você sabe, a voltagem é 220 volts. E o pedal não
funcionou. Eu pensei: "Pô, alguém queimou o meu pedal. Merda. Tem três pessoas que
usaram a sala de ensaio". Perguntei: "Quem foi?" Alguém disse: "Foi o Ico (Ouro Preto, ex-guitarrista das bandas Aborto Elétrico e Legião Urbana)". Mas o
Ico falou que não, que tinha sido o Herbert. Eu fiquei puto. Um ano e meio
depois, quando a Plebe foi ao Rio para
tocar pela primeira vez, eu já tinha
dito "fala praquele cara que ele queimou
meu pedal". |
Descemos para fazer o show com
Plebe, Legião e
Paralamas. Show antológico no Circo Voador. Quando chegamos lá no Circo para fazer a
passagem de som, o Herbert, que é um cara meio largo, chegou para mim: "Que papo é
esse de dizer por aí que eu queimei o seu pedal? Que papo é esse?" Eu falei:
"Não, não. Foi o Ico, foi o Ico" (risos). E o Herbert: "Tá bem, tá
bem..." A gente passou o som, tocamos A Minha Renda. Na famosa passagem:
"Já sei o que fazer para ganhar muita grana, vou mudar meu nome para Herbert
Vianna", o Herbert abriu um sorrisão e viu que o pessoal de Brasília tinha
caráter... Ficamos amigos.
Depois, ele acabou sendo nosso
padrinho na EMI e, bem, o resto é história. Bem, ok. Fast forward da fita para os tempos
atuais em Brasília (imitando o som de fita k7 em rotação rápida). Dezessete anos
depois, os Paralamas vão tocar com os Titãs na capital, uma semana depois da volta
triunfal da Plebe, estou chegando ao hotel, o Herbert avança em minha direção, a
última vez que eu o havia visto fora há uns dois anos e meio, durante as gravações do
disco Nove Luas, e diz: "Cara, eu tenho um presente para você". E me deu uma
caixa, com um formato retangular, eu pensei que, de repente, era uma pica de Itu, sei lá,
alguma coisa assim (risos)... Fiquei desconfiado e todo mundo ficou olhando. Eu abri e vi:
um pedal MXR flanger, exatamente igual àquele meu. Ele assumiu, finalmente, que tinha
culpa no cartório. Admitiu mesmo e eu falei: "Herbert, você está perdoado"
(risos).

2. Dinho Ouro Preto fala
sobre os Paralamas
"Essa edição vou falar de uma das maiores bandas do rock brasileiro, também de
Brasília: os Paralamas do Sucesso. Conheci Herbert Vianna
e Bi Ribeiro quando eu tinha 12 anos. Por causa da nossa amizade vi em primeira mão coisas importantes dos Paralamas:
a primeira guitarra do Herbert, o primeiro baixo do Bi, os primeiros ensaios, as
primeiras músicas... Por isso, o acidente do Herbert no ano passado não foi só
dele. Atingiu a todos os amigos. Torcemos para ele se recuperar, mas ninguém
esperava que as boas notícias viessem tão cedo. No início de abril, estávamos mixando o disco no Rio de Janeiro e, no estúdio do lado, estavam eles, os Paralamas. Sim, eles começaram a gravar um novo CD. Fiquei surpreso, mas já conhecia a determinação e obstinação de Herbert. Tentei entrar e ouvir alguma coisa - um pouco de espionagem e muita curiosidade.
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Eles estão gravando praticamente ao
vivo. É arriscado, mas quando rola, vale
muito a pena porque traduz melhor a
emoção da banda. De início, não dava
para se ouvir muito: eram
Bi, Herbert
e Barone
cercados por instrumentos, fazendo um barulho infernal. Conversei com o Herbert, que estava superanimado, feliz da vida por estar gravando de novo. Ele contou que a maioria das canções estava pronta antes do acidente. Na verdade, todas menos uma. A que falta, segundo ele, será difícil de sair porque ele ainda não tem um tema. Não tenha medo, meu amigo, a inspiração virá. Perto do que você já superou, é obstáculo pequeno."
Fonte: Revista Capricho
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3. Samuel Rosa (Skank) fala sobre a amizade com os Paralamas
Matéria da
Revista MTV
de agosto/2002
REVISTA
- VOCÊ ESTEVE COM O HERBERT DEPOIS DO ACIDENTE?
SAMUEL - Não. Esse acidente me
chocou profundamente porque o Herbert
também é um grande ídolo que tenho...Os Paralamas, né. Não só musicalmente, como influência, mas na conduta, na forma de procedimento, sem nenhum tipo de afetação, deslumbramento. Isso teve um peso muito grande em minha vida.
ASSOCIARAM MUITO VOCÊS AOS PARALAMAS, NÃO É?
A gente tinha essa coisa de ser uma banda branca de reggae, com metais, desconhecida, aí neguinho falou: "Paralamas, é?" Claro, no início, você ainda não mostrou a que veio, tem a tendência de comparar com algo que já se conhece. Durante muito tempo acho que isso incomodou tanto a eles como a nós. Lourinha Bombril disputou com Garota Nacional no VMB e tal. Uma vez o
Barone falou que era "Beatles e Stones", e eu achei meio muito... Mas criou-se um clima de hostilidade e rivalidade que, entre nós, não tinha.
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E ISSO NÃO MUDOU?
Na Copa do Mundo de 1998, a gente estava na Suíça, num festival de música brasileira, e os Paralamas iam tocar no outro dia. O show não estava muito cheio e, na primeira fila, aparece quem? Herbert Vianna! Com uma garrafa de vinho na mão, olhando pra mim... Falei: "Sobe aí, agora!" Passei a guitarra para ele e disse: "Você vai tocar com a minha guitarra porque visita na minha casa senta no melhor sofá", e a gente tocou a noite inteira e depois foi um papo legal...
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Ele foi uma das
primeiras pessoas que falou bem do Skank, por incrível que pareça. Disse: "Essa banda nova, meio que tocando de bermudas, pulam no palco, satisfeitos, e têm um cara lá muito bom que é o Samuel". Isso pra mim foi "Eu posso, dá para eu ir..."
UMA ESPÉCIE DE PASSAPORTE?
Foi o meu passe... Uma merda esse acidente. Eu me lembro de uma cena, porque eu ficava pensando nos filhos, na hora que eu vi essa cena, na TV...
Ele colocando o menino no carro, sabe? Pensei: "Porra..." (se emociona brabo).

6. Jamari França fala
sobre o início do Rock Nacional
Entrevista concedida por Jamari França,
jornalista de 55 anos que acompanha o rock nacional há 21 anos e escreveu a
biografia
dos Paralamas. Entrevista Exclusiva à Paralamas Forever em Maio/2003.
Paralamas Forever -
Você que acompanhou o nascimento do rock brasileiro, como se deu o início do movimento em si?
Em que cidades começou a se falar de rock ??
Jamari França - Bom, como vivo aqui
(no RJ) comecei a notar que começaram a rolar shows em bares da cidade com bandas
de nomes engraçados, pintou uma curiosidade, tinha João Penca e seus Miquinhos
Amestrados,
Barão Vermelho, que tocavam no Circo Voador do Arpoador,
depois no Western, um bar no
bairro do Humaitá. Isso ao longo de 82, que acabou achando pouso no Circo Voador quando este voou do Arpoador para
a Lapa. Depois eu soube que rolava a mesma coisa em são Paulo, mas as bandas de
lá só iriam
aparecer num segundo momento porque as gravadoras estavam no Rio e as bandas do Rio gravaram
primeiro e abriram caminho primeiro nas rádios com um estilo alegre, enquanto as bandas
paulistas tinham um rock mais agressivo. Depois eu soube que rolava o mesmo em Brasília com a
turma que fez Capital Inicial, Legião
e outras bandas.
Paralamas Forever -
Quais foram as primeiras bandas a despontar no cenário brasileiro?
Jamari França - A primeira a fazer sucesso foi a Blitz.
Lulu Santos veio na mesma batida, o Kid Abelha conseguiu logo boa execução em rádio e os Paralamas
também.
Paralamas Forever - Qual foi a influência direta do Rock in Rio, de 1985, no crescimento do rock
nacional?
Jamari França - Foi fundamental pelo choque de profissionalismo que deu nas bandas brasileiras. Até então
tava todo mundo no entusiasmo, na euforia de estar fazendo sucesso e ninguém tinha se tocado
que o rock exigia produção, boas aparelhagens, boa luz. Tudo começou a acontecer depois do
Rock in Rio.
Paralamas Forever - Qual era a repercussão, na imprensa, nas rádios e na TV, das bandas de rock
nacionais?
Jamari França - Começou nos jornais, especialmente comigo no
Jornal do Brasil e Ana Maria Bahiana no Globo. A rádio Fluminense
entrou no ar na mesma época, também aberta ao rock nacional e o Circo na Lapa dava espaço.
Então ficou esse trinômio de jornais, radio e espaço pra tocar. Com o crescimento de publico e a
audiência da rádio aumentando e nós escrevendo sobre o que acontecia, o pessoal das gravadoras
se interessou. Ajudou muito o estouro de "Você não soube me amar", da Blitz, que vendeu mais de
500 mil copias do single que tinha um lado soh. Daí as gravadoras caíram em cima das bandas.
Paralamas Forever - Muitas bandas já não existem mais .... Mas, como explicar a longevidade de bandas como
Paralamas, Titãs, Capital, Kid Abelha que completam quase 20 anos de carreira ?
Jamari França - Talento
principalmente. Todas estas bandas passaram por um período de sucesso, depois de
quase ostracismo até voltarem de novo para o topo conquistando novas gerações de fãs. A
qualidade do trabalho inicial deles permitiu que servisse de cartão de apresentação para
gerações novas e elas souberam sustentar com trabalho novo de qualidade.; fazer sucesso é
difícil mas permanecer é mais difícil ainda, um teste para quem tem talento e capacidade de
renovação.
Paralamas Forever - Surgiram muitas bandas novas. Quais delas, você acredita que possam se manter e atingir
seus 20 anos de carreira?
Jamari França - É impossível dizer isso agora. Acho que quem ouvisse o pop bobo e mal tocado e cantado do
Kid Abelha em 1983 no Circo Voador não diria que a banda estaria lotando casas grandes como o
nosso ATL Hall aqui do Rio que cabe quase 10 mil pessoas. Vai depender do desenvolvimento de cada
banda dessas. O tempo dirá.

7. Críticas de Discos
->
Crítica sobre o CD Arquivo II
->
Crítica sobre o CD
Arquivo II (em inglês)
->
Crítica sobre o CD O Som do Sim
->
Matéria sobre o lançamento do CD O Som do Sim
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Crítica sobre o CD Acústico MTV
->
Crítica sobre o CD Longo Caminho
->
Lançamento do CD Combate Rock
->
Matéria sobre o lançamento do CD/DVD Uns Dias ao Vivo
->
Críticas Reunidas sobre o lançamento do CD Hoje (Arquivo
MS Word)
->
Crítica sobre o
disco Severino

8. Outras Entrevistas
->
Entrevista com João Barone sobre o lançamento do CD
Arquivo II
->
Paralamas: Duas décadas de POP
->
Entrevista com os Paralamas feita por Jamari França
->
João Barone fala sobre a recuperação do Herbert Vianna
->
A Recuperação de Herbert Vianna
->
João Barone fala sobre o Grammy, o novo disco Longo
Caminho e sobre o Herbert
->
Entrevista com Herbert e Leoni
->
Entrevista com Herbert Vianna - Revista Guitar Player (Arquivo MS Word)
->
Herbert Vianna fala sobre a turnê latino-americana dos
Paralamas em 1992
->
Paralamas falam sobre o lançamento do CD Longo Caminho
->
Paralamas falam de fãs, MP3, Chico Buarque e do recente
CD (Hoje)
->
Entrevista com
Herbert Vianna - Turnê pela Argentina em
Dez/2006 - EM ESPANHOL
->
Entrevista com João
Barone sobre o show no Ceará Music 2007 com
a Nação Zumbi


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