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Continuação da entrevista
via e-mail com João Barone, realizada nos
dias 22 e 23 de junho de 2007.
8. PF e NP: O Bi Ribeiro continua com seu
projeto paralelo aos Paralamas (o
ReggaeB).
Como anda a sua banda com o Liminha, o
The Silva's?
JB: Sempre ficamos de reativar o
The Silva's,
mas andamos muito ocupados. Uma hora a gente
faz o "The Silva´s, O Retorno"... Quem sabe
no Maracanã ou no Madison Square Garden...
9. PF e NP: Depois do acidente com
Herbert Vianna, você acabou assumindo o
papel de "líder" da banda, pelo menos
perante a mídia. Como está sendo esta
mudança?
JB: Que é isso!!! Rsrsrs! Quem foi
rei nunca perde a realeza. O Herbert
é o nosso "front man", independente de
qualquer coisa. O que acontece é que tanto
eu quanto o Bi entramos em ação para falar
mais das coisas atuais que acontecem com Os
Paralamas, uma
vez que a memória recente do Herbert
está afetada. Nós "emprestamos" nossa
memória recente para ele, ele nos empresta a
dele, pois se lembra de muitas coisas
antigas que nós esquecemos, e assim seguimos
em frente.
10. PF e NP: Você acha que, aos
poucos, o Herbert retomará esta função?
JB: As funções primordiais dele estão
aí: canta, toca, compõe... O resto é mera
formalidade. Digamos que ele passou vinte e
poucos anos tendo que responder "Por que o
nome Paralamas?" nas entrevistas. Agora
sobrou para mim e o Bi... Rsrsrs!
11. PF e NP: Qual é a postura da banda em
relação a esta revolução que está
acontecendo com a música? Vocês são a favor
da livre troca de arquivos na internet ou
existe uma solução que não prejudique tanto
o artista?
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JB: Somos
a favor sim, não se pode controlar.
Alguma hora as pessoas vão se tocar
que se não pagarem a quem for de
direito, a música vai acabar. Acho
ridículo "processar" quem faz um
download ou troca músicas pela web,
assim como é ridículo prender alguém
com um baseado. Não adianta combater
as conseqüências. Ninguém sabe o que
vai acontecer daqui para frente
quanto a nova forma de comercializar
música, mas algo vai aparecer. Não
adianta fechar os olhos para a
revolução ocorrida com a internet.
As gravadoras reclamavam da
pirataria e vendiam cds mais caros
que a média de preço mundial. Tiro
no pé. Cds deviam ser mais baratos.
Eu sou contra a pirataria e quem vai
acabar com a pirataria é a internet.
Vai ser lindo ver o império da
pirataria desmoronar, quero estar
vivo para ver isso acontecendo. Por
exemplo, este ano as vendas de
computadores igualaram as vendas de
TVs. Isso é só o começo. Sem falar
em como a telefonia celular está
mexendo com o mercado musical, com
os downloads e ringtones...
Vem coisa boa por aí. Somos
otimistas. |
12. PF e NP: Com 25 anos de carreira, como
os Paralamas se vêem no cenário atual da
música brasileira?
JB: Somos os "Highlanders"
do Brasil. Já vimos muitas coisas virem,
ficarem e irem... E nós aqui... Como diz o
Herbert,
"estamos apenas começando mais um ciclo de
vinte anos." Enquanto tivermos forças para
fazer o que mais gostamos - tocar - aqui
estaremos. Vamos lançar a campanha "dos anos
80 até os 80 anos!
13. PF e NP: O disco "Hoje', último
gravado por vocês, não ganhou as rádios do
Brasil como seu anterior, "Longo Caminho". A
que você atribui isto? Ainda é um objetivo
da banda tocar no rádio ou isso não importa
tanto quanto antes?
Não sabemos, talvez a divulgação da
gravadora não tenha sido boa naquele
momento. Queremos nossa música na rádio, na
novela, na tv, no cinema. Mas quem ouve
rádio hoje? Ou assiste TV? Ou compra cd? Ou
vai ao cinema? Está tudo mais diluído hoje
em dia, são muitas boas opções de lazer,
música, filmes e shows... Não vamos ficar
tentando achar explicação para tudo. As
coisas são assim, cíclicas. Quem sabe no
próximo a gente vai mais longe. Depois que
li este livro chamado "A Cauda Longa", que
tenta explicar como a indústria de
entretenimento pode sobreviver nos tempos de
hoje, fiquei mais tranqüilo. O livro diz que
cada vez menos filmes e músicas são "super
vendedores" e que cada vez mais artistas
"menos vendedores" seguram o grosso das
vendas e movimentam o showbis. Não vai haver
outro Michael Jackson Thriller" (mais de 10
milhões de cópias vendidas) na história.
Parece que os Paralamas já rezavam por esta
cartilha. Como diz o velho ditado: "o que é
do homem, o bicho não come".
VALEU BARONE !!!!!!
Entrevista realizada
nos dias 22 e 23 de junho de 2007, por
Rafael Michalawski e Eduardo Lemos.

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